Olá Reader,
Num processo de mentoria com um diretor comercial, ele chegou com a queixa clássica.
"Rodrígo, estou trabalhando 60 horas por semana e meu time não cresce. As pessoas não executam, as metas não batem, e eu estou destruído. Preciso de um aplicativo melhor de calendário ou de ajuda com gestão de tempo."
Perguntei: você abre o seu calendário às 8 da manhã?
"Claro."
E quantas reuniões agendadas você tem?
"Hoje? Doze."
E quantas delas foram iniciadas por você?
Silêncio.
Ele estava tão ocupado respondendo ao caos alheio que não tinha tempo para criar o futuro. Seu calendário era um reflexo de suas prioridades — e suas prioridades não eram as dele.
Pare de culpar o relógio.
O dia tem as mesmas 24 horas para você, para seu concorrente e para o CEO da maior empresa do mundo.
A busca incessante por um aplicativo milagroso é uma fuga psicológica.
Quando você diz "não tenho tempo", o que realmente está dizendo é "não sei escolher o que importa".
O tempo é uma constante imutável. A única variável sob seu controle absoluto é você.
Você provavelmente se orgulha de terminar o dia exausto. Acredita que esgotamento = alta performance.
Não é. É apenas movimento desordenado.
Em qualquer treinamento de liderança de alto nível, o diagnóstico inicial é quase sempre o mesmo: líderes sobrecarregados estão fugindo de decisões difíceis.
Se em seu perfil Gallup você tem REALIZAÇÃO ou FOCO no topo, sua tendência é executar e finalizar tarefas a todo custo.
Mas REALIZAÇÃO sem clareza estratégica se torna apenas uma máquina de gerar estresse.
Um vendedor passa tardes inteiras polindo uma apresentação perfeita para um lead frio em vez de fazer prospecção ativa. Um gerente de vendas revisando relatórios internos em vez de treinar seu time.
Eles não precisam de gestão de tempo.
Eles precisam de um choque de realidade sobre seus pontos fortes.
Se tem ESTUDIOSO alto, mascarará procrastinação sob "preciso estudar mais o cliente". Usa pesquisa como escudo para evitar rejeição.
Isso não é falta de tempo. É falta de autoconhecimento.
De volta àquele diretor: pedi um favor. Traga seu calendário completo da última semana.
Ele trouxe. Olhei página por página.
Das 60 horas de trabalho, 45 horas eram reativas — reuniões que outros agendaram, crises que explodiram, demandas urgentes mas não importantes.
Das 15 horas restantes, 10 eram gastas em atividades que poderiam ter sido delegadas ou automatizadas.
Sobravam 5 horas por semana para pensar sobre estratégia, desenvolver líderes e construir o futuro.
Aí estava o problema inteiro. Ele não tinha falta de tempo. Tinha falta de coragem de dizer não.
Ensinei a ele a Lista do Não — um framework para recuperar sua agenda e sua vida.
Funciona assim:
Antes de abrir a caixa de e-mails ou olhar mensagens de celular, determine as duas únicas atividades que, se realizadas hoje, farão todo o restante parecer irrelevante ou secundário.
Escreva essas duas. Depois, proteja esse tempo. Feche as abas. Desligue notificações. Bloqueia aquelas horas no calendário como se fossem uma reunião com o CEO.
Todo o restante? Delegue, adie para a semana seguinte ou simplesmente cancele.
Ele implementou na segunda-feira seguinte.
Sua "Lista do Não" era: (1) estruturar plano de desenvolvimento para seus 3 gerentes e (2) fazer prospectação pessoal para fechar 1 grande deal.
Resultado? Eliminadas 8 reuniões que outros queriam com ele. Adiadas 5 e-mails que não eram urgentes. Cancelada uma apresentação que foi repugnada e re-feita por uma gerente sênior.
Uma semana depois?
Conseguiu tempo para fazer aquelas duas atividades. Duas semanas depois? Seus gerentes começaram a crescer porque finalmente tinham seu tempo e atenção.
Seis meses depois?
Trabalhava 45 horas por semana em vez de 60. Seu time havia triplicado de performance. E ele tinha, finalmente, tempo para pensar.
O mais interessante? Ele não se tornou mais eficiente. Tornou-se mais ousado em dizer não.
Se seu talento ORGANIZAÇÃO começar a protestar, exigindo que tudo seja ordenado milimetricamente, lembre-se: organizar caos apenas deixa você com caos mais arrumado.
Seu papel é eliminar o supérfluo, não categorizá-lo.
A pergunta que deveria queimar na sua mente:
Se você continuasse agindo nos próximos seis meses exatamente como agiu hoje, seu time alcançaria os resultados planejados ou apenas acumularia desculpas?
Se a resposta causou desconforto, é hora de parar de olhar para os ponteiros do relógio e começar a olhar para o espelho.
Seu calendário não é o problema. Você é.
Se você quer estruturar uma gestão de si mesmo que gere impacto real, me responde esse email.
Rodrígo Ferreira Pontos Fortes | pontosfortes.com.br/links
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